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    D’Alma“É como estar em seu leito de morte. Essa obrigação de olhar para o redor e enxergar o sentimento que abasteceu cada uma das coisas que fizeram parte de você. Cada planta que cultivou ou deixou morrer, cada lágrima que fincou no rosto ou o sorriso que arrancou de alguém. É como estar em seus últimos suspiros e notar que a maior dificuldade não vai ser atravessar um mundo e deixar as conquistas e os fracassos, as mágoas e alegrias estacionadas na mente de quem fica, de quem teve a sorte de saborear ou o azar de amargar suas aflorações concretizadas. Mas saber que se aproxima a hora de confrontar com seus próprios erros e acertos. É como um espelho. Não como este que te reflete dia após dia. Não como este reflexo que te tornou narcisista e prepotente. Por este pedaço de vidro não é possível enxergar nada, além de algumas feições forçadas para parecer feliz ao acordar ou uma lágrima de desgosto em frente a um espelho de um banheiro público ao ser deixado pela pessoa a quem dedicou anos de afeto. Você vai apenas observar os seus olhos, vai distinguir se estão mais castanhos ou negros que o comum, ou mais para o verde que o azul. Mas não vai enxergar o seu olhar. Ninguém consegue enxergar a si mesmo, a porta ocular dos sentimentos.  Sua cabeça doerá. Irá latejar por minutos constantes se encarar por algumas frações de segundos. Isso se conseguir confrontá-la. Talvez não consiga se vir de frente com seu medo ou seu sentimento mais inquietante. Possa parecer atordoador. Não é necessário continuar. Você não está preparado para essa sensação de morte. Para essa conversa entre o seu olhar observador e o seu olhar revelador. Pela primeira vez você observa um olhar. Não o seu, de frente a um espelho de construção. Nem o de uma figura, como de um ser humano retratado em tinta óleo. Mas de alguém sem qualquer feição, um rosto nu e cru, sem expressões.Tudo está apagado, sem vividez. Menos os olhos, que mesmo escuros, transportam vida. A vida do seu medo, da sua angústia, do seu desafeto e mágoa. A vida da sua felicidade, do seu sorriso, do seu amor e prece. Uma imagem crua, bizarra e transcendental. Sem qualquer distração facial, sem nenhuma dispersão. São os seus olhos encarando a sua alma. O seu carnal confrontando o seu - esgoto ou água potável – interior.”REIS, WANDER. 
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    © FELIPPE SOUZA - PHOTOGRAPHER · Theme by Intensify it · Powered by Tumblr